segunda-feira, 20 de julho de 2015

Beastly

Título original: Beastly
Autor: Alex Flinn
Nº de páginas: 324
Editora: Caracter Entertainment

"Sou um monstro.
Um animal. Não sou bem um lobo num um urso, nem um gorila nem um cão. Sou uma nova criatura horrível, que caminha na posição vertical - uma criatura com presas e garras e pêlo a brotar de todos os poros. Eu sou um monstro.
Acham que estou a falar de contos de fadas? Nem pensar. O local é a cidade de Nova Iorque. O tempo é o de hoje. Não é uma deformidade nem se trata de uma doença. E vou ficar assim para sempre - arruinado - a não ser que consiga quebrar o feitiço.
Isso mesmo, o feitiço aquele que a bruxa da minha aula de inglês lançou sobre mim. Porque é que me transformou num animal que se esconde durante o dia e vagueia pela noite? Eu digo-vos.
Vou contar-vos como costumava ser Kyle Kingsbury, o tipo que toda a gente gostava de ser, com dinheiro, de aspeto perfeito, a vida perfeita. E depois, vou contar-vos como me tornei perfeitamente - monstruoso."


Opinião
Kyle é um jovem filho de um apresentador de televisão. Bonito e com dinheiro, Kyle está habituado a ser o centro das atenções e a rebaixar todos os outros que não são assim tão bonitos. Quando é nomeado para rei do baile, Kyle age como se fosse o dono do mundo. Kendra, uma rapariga não tão bonita e que toda a gente diz ser uma bruxa, faz frente a Kyle. Este não gosta da atitude de Kendra e decide vingar-se. Kendra não reage bem e acaba por transformar Kyle num monstro. A única maneira de voltar à sua forma normal é conseguir que uma rapariga se apaixone por ele, tendo em conta o seu aspeto.

Kyle tenta arranjar maneira de solucionar o seu problema. Primeiro recorre a médicos, a seguir tenta arranjar uma namorada através das redes sociais. Mas nenhuma das tentativas dá resultado. Kyle tem então de descobrir uma rapariga que esteja disposta a amar um monstro, ao mesmo tempo que vai aprender que a beleza não é assim tão importante.

Beastly é uma adaptação moderna de um dos mais conhecidos contos de todo o sempre: A Bela e o Monstro. Agarrando na história original que todos conhecemos, a autora conta-nos a história de Kyle, o monstro, e de Lindy, a bela. A história é contado pelo ponto de vista do monstro.

Acho que a autora fez um bom trabalho na adaptação. Existem muitas versões desta história e é sempre difícil escrever uma que seja original, no entanto Alex Finn conseguiu criar uma história emocionante que nos envolve página por página.

A história consegue ter os pormenores do conto original. Temos, por exemplo, a rosa ou o castelo. Mostra que a autora não deixou para trás os detalhes que definem o original e dão um toque especial a esta história.

Gostei da relação que o Kyle criou com a Magda e com o Will. Como o pai basicamente o abandonou depois dele ser transformado, estes assumem os papéis de tutores.

Outra coisa que também me agradou foi a forma como o Kyle cresceu ao longo do livro. Como deixou para trás a sua máxima de que apenas as pessoas bonitas tem sucesso e merecem ser respeitadas. No final, Kyle mostra-se uma pessoa que consegue ver para além da aparência e que começa a apreciar o interior das pessoas.

Por fim, esta é uma história sobre o amor e a beleza interior, o modo como quando amamos alguém conseguimos passar por cima da aparência.

Citações
"- Uma coisa bela é sempre preciosa, independentemente do preço. Quem não sabe reconhecer as coisas preciosas da vida, nunca vai ser feliz. Eu desejo que seja feliz, Sr. Kyle."

"- Bonita flor.
- Ei queres ficar com ela? - perguntei à rapariga."

"- O que é que me fizeste? - Quando falei, a minha voz era diferente. Saiu um rugido.
Agitou a mão com uma chuva de faíscas.
- Transformei-te em quem és de verdade.
Eu era um monstro."

"- Fico contente por teres descido, Lindy. - Tentei manter a voz no mesmo tom. - Estava muito preocupado acerca de quando nos íamos conhecer. Agora já está, e talvez te habitues a mim. Estava com medo de que não saísses, nunca."

Excerto
Conseguia sentir toda a gente a olhar para mim, mas já estava habituado. O meu pai sempre disse uma coisa, ensinou-ma muito cedo e repetiu várias vezes que devia agir como se nada me afetasse. Quando se é especial, como nós éramos, as pessoas sentiam-se compelidas a reparar em nós.
Estávamos no último mês, antes do fim do nono ano. O professor substituto estava a distribuir boletins de voto para a eleição da corte do baile de Primavera, algo que normalmente eu acharia foleiro.
- Ei, Kyle, o teu nome está aqui. - O meu amigo Trey deu-me um piparote no braço.
- Não está nada, dah! - Quando me virei em direção a Trey, a rapariga ao lado dele, Anna, ou talvez Hannah, baixou o olhar. Eh. Tinha estado a olhar fixamente para mim.
Examinei os boletins, e não só lá estava o meu nome, Kyle Kingsbury, proposto para príncipe do nono ano, como também a certeza de que iria ganhar. Ninguém conseguia competir contra a minha aparência nem contra o dinheiro do meu pai.

Adaptação
5*

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