quinta-feira, 2 de julho de 2015

Só te amo até terça-feira

Autor: Rosa Luna
Nº de páginas: 197
Preço: 13,90€
Editora: Livros d'Hoje

"Mariana nasceu sete minutos depois de Rosa Maria. A sua vida estava destinada a ser pequena e esquecida, com um namorado sem dinheiro que ainda vivia com a mãe. Num finca-pé pouco habitual, conseguiu tirar um curso administrativo, um de inglês e outro de francês e começou a trabalhar numa grande empresa. Era a Mariana ao fundo da sala, competente mas sem história. Tudo se transforma com a chegada do filho do patrão, Diogo Vargas, um homem estonteante, bem vestido, perfumado, com um sorriso irresistível. Ainda não tinham trocado uma palavra e Mariana já imaginara o casamento, os filhos, o sexo extraordinário. Nada seria possível sem uma autêntica revolução. Esta chega pelas mãos de duas amigas - um par de lésbicas bem dispostas e atrevidas - que obrigam Mariana a mudar o visual. Radicalmente. O patinho feio torna-se um cisne com cabelo assimétrico, roupa de outlet e sapatos com cunha. Depois? Diogo repara na Mariana ao fundo da sala e vão jantar. Nada corre como seria de esperar. Ou será que Mariana conseguirá atingir o seu sonho? Uma coisa é certa: o amor não escolhe nem tempo nem lugar."


Opinião
Escrito como se tratasse de uma carta, chega-nos às nossas mãos, através deste livro, a história de Mariana. Mariana sempre foi a esquecida da família, aquela que não se encaixava de onde vinha. A sua vida sempre foi ofuscada pela irmã gémea, Rosa Maria, porque esta tem algo que Mariana não tem: um casamento e filhos. Apesar de Mariana ter uma carreira e um curso superior. Para além disso, o ex-namorado trocou-a pela prima Renata.

Quando vê pela primeira vez o filho do chefe da empresa onde trabalha, Mariana apaixona-se imediatamente. A partir daí, começa a sofrer com o facto de saber que Diogo nunca irá olhar para ela, pois, afinal, é a Mariana do fundo da sala. Mas quando conhece um Sofia e Joana, as suas novas amigas, a vida de Mariana muda para sempre. As duas fazem uma mudança radical no visual de Mariana e, surpresa das surpresas, Diogo repara na jovem ao fundo da sala. Convida-a para jantar, mas as coisas não correm como esperado. E o sofrimento de Mariana continua.


Relativamente às personagens, gostei muito da Sofia e da Joana. São muito divertidas e verdadeiras amigas. A Mariana passa metade do livro a sofrer. O Diogo não se pode dizer que seja uma personagem muito presente. Tem a sua importância, uma vez que todo o livro é escrito como se tratasse de uma carta dedicada a Diogo, no entanto a sua participação é reduzida a basicamente ao final do livro.


A parte do romance foi muito rápida. Eu sei que este comentário já é habitual em mim, mas é a verdade. Temos a Mariana a sofrer por amor quase o livro todo e de repente já eram namorados e estavam perdidamente apaixonados um pelo outro (não é bem assim, mas é só para fazer entender o meu ponto de vista). Não se vê o crescer do romance, ele primeiro não existe e depois aparece do nada.


Por fim, este livro é uma leitura leve e descontraída, excelente para recuperar de uma ressaca literária ou para ler depois de um livro denso e pesado.


Citações
"Seria a tua princesa. A fantasia não terminou aí, mas fiz um esforço para me concentrar no teu discurso, aliás curto, que me encheu de orgulho por já te considerar meu."

"E o teu pai seguiu para a sua sala enorme, com vista para o rio e para a cidade maravilhosa, e eu fiquei ali com a tua filha. Mostrei-lhe imagens do Patas e expliquei que tinha uma amiga com cabelo laranja. Como ela não acreditou de imediato, mostrei-lhe uma fotografia da Sofia com a Joana. E depois foi a vez dela perder a timidez e dizer em que escola anda, de que disciplinas gosta, como o professor de educação física é estúpido e só gosta dos rapazes e como é complicado ter de agradar a todos."

"- E se a Mariana for a mulher pela qual esperei uma vida inteira?
- Eis uma coisa que convém descobrir depressa, não acha?"

"- Tu disseste que só me amavas até terça. Hoje é segunda. Portanto, a pergunta é: amas-me?"

Excerto
Quando coloquei o meu perfil falso no Facebook foi uma forma de te atrair. Claro que a minha ignorância não me fez prever que seria necessário um pedido de amizade e uma aceitação tua. Não sou grande adepta das redes sociais, são montras de ego: por que carga de água é que as pessoas se exibem daquela maneira e têm frisos com fotografias em poses distintas? Seria incapaz de tamanha ousadia. Sou uma pessoa resguardada, a exibição não me é necessária. Por isso, fico fascinada a ver no Facebook a quantidade de informação que as pessoas debitam para ali. Será solidão? O meu caso estava preso aos mistérios amorosos, por isso qualquer desculpa era válida.
E tu irias aceitar o meu pedido de amizade porquê? Por sermos da mesma empresa, foi o que pensei e, no fim, talvez tenha sido essa razão que te levou, nove dias depois, a adicionares-me a uma lista cheia de gente que eu desconhecia e gente que conhecia da televisão ou das revistas. Como calculas, só me atrevi a carregar naquela imagem do polegar para cima que equivale a dizer que gosto e a entender, vendo o que lá colocas, quais são as coisas que te prendem a atenção. Foi assim que descobri música e livros de que nunca ouvira falar. A quantidade de informação que os teus amigos me forneceram? Nem imaginas. Tesouros, autênticas preciosidades para quem está apaixonada, posso garantir.
4*

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