terça-feira, 13 de fevereiro de 2018

"Onde se fez a história dessa Inês tão linda"


Descendo a alta da cidade, atravessando a ponte de Santa Clara, passando o Mosteiro de Santa Clara-A-Velha e percorrendo mais algumas ruas, foi esse o caminho que fiz para descobrir este pequeno paraíso no meio da cidade de Coimbra.

De fora vemos um longo relvado utilizado para campos de golf e de ténis. Se olharmos em cima vemos uma longa floresta, preenchida com árvores altas e imponentes. Paguei a entrada para este paraíso e comecei a percorrer os trilhos que me foram apresentados.

A Quinta das lágrimas localiza-se em Coimbra, mais precisamente na margem esquerda do Rio Mondego. Nos seus jardins podemos sentir a memória da maior história de amor de Portugal, a história de D. Pedro e D. Inês de Castro.

Todos nós conhecemos esta trágica história de amor, mas para quem não está recordado, trata-se do amor proibido entre um futuro rei e uma fidalga que era a aia da noiva de D. Pedro. Assim que viu Inês pela primeira vez, Pedro ficou perdidamente apaixonado, no entanto, e porque a época o obrigava, teve de casar com D. Constança, rainha de Leão e Castela. Mas o destino havia de ditar a morte de D. Constança ao dar à luz o filho, D. Fernando, permitindo a que D. Pedro e D. Inês pudessem ficar juntos.

Sofreu consigo e calou
Sua paixão divinal
Assim como qualquer mortal
Que um dia de amor palpitou

No entanto, o rei D. Afonso, pai de D. Pedro era contra esta união, e durante muito tempo o casal viveu no Norte de Portugal, decidindo depois instalar-se em Coimbra, no Paço de Santa Clara. Num dia em que D. Pedro se encontrava numa excursão, o rei mandou executar Inês. Assim surgiu a lenda que conta que as lágrimas derramadas por D. Inês terão dado origem à Fonte das Lágrimas e que o sangue terá dado origem às algas vermelhas que cresceram ali.

Coimbra onde uma vez
Com lágrimas se fez
A história dessa Inês tão linda

Na fonte das lágrimas, que simboliza as lágrimas derramadas por D. Inês enquanto implorava misericórdia aos seus assassinos, pode ler-se um excertos de Os Lusíadas de Luís de Camões sobre esta trágica história de amor.










Fonte das lágrimas

As filhas do Mondego, a morte escura
Longo tempo chorando memoraram
E por memória eterna em fonte pura
As Lágrimas choradas transformaram
O nome lhe puseram que ainda dura
Dos amores de Inês que ali passaram
Vede que fresca fonte rega as flores
Que as Lágrimas são água e o nome Amores
Os Lusíadas, Canto III

Para além da famosa Fonte das Lágrimas, neste espaço também podemos visitar a não menos famosa Fonte dos Amores, que imortaliza para sempre esta história de amor. Nesta fonte podemos verificar a presença de algas vermelhas que simbolizam o sangue derramado por Inês a quando da sua morte.

Inscrição de uma parte dos Lusíadas, junto
à Fonte das lágrimas



Coimbra dos doutores
Pra nós os teus cantores
A Fonte dos Amores és tu

Numa nota para os que esperam encontrar um local mágico nesta fonte: confesso que fiquei um pouco desiludida por se tratar apenas de um pequeno canal a correr água. Talvez estivesse à espera de algo mais imponente. No entanto, não pude deixar de admirar a beleza do local e de sentir toda a sua magia inerente. Se visitarem este local, aproveito para dar a sugestão de se aproximarem desta fome e refrescarem-se na água, para pedir, quem sabe, sorte no amor.



Algas vermelhas

Apesar destes serem os principais locais a visitar neste espaço, há muito mais para ver. Sugiro uma visita ao anfiteatro e ao lago, assim como aos jardins do hotel de luxo, um cenário perfeito para casamentos. Para os amantes da natureza, sugiro um passeio pelos trilhos para descobrirem as várias espécies de árvores que compõe a Quinta.

Fonte dos Amores

Por fim, gostaria de acrescentar que os túmulos de D. Pedro e D. Inês de Castro se encontram localizados no Mosteiro de Alcobaça. Foram mandados construir por D. Pedro, de frente um para o outro, para que "possam olhar-se nos olhos no dia do juízo final".

A ti a quem eu quero mais que à vida
A ti que o que tu queres é meu querer
A ti que és da minh'alma a escolhida
Te dou no meu adeus todo o meu ser
Recebe-a se quiseres que é bem sentida
A mágoa que me mata em te perder

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